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O papel da verossimilhança e da intertextualidade no livro "O menino que espiava para dentro", de Ana Maria Machado



As pessoas nunca tiveram tanta voz como hoje, com as redes sociais. Através do mundo virtual entramos em contato com os mais diferentes indivíduos e, dentre eles, pessoas que têm algo em comum e que fazem transparecer em suas postagens a ignorância.
Atacada por cidadãos que são vítimas de sua própria ignorância, Ana Maria Machado, brilhante escritora da literatura infantojuvenil, faz questão de esclarecer alguns pontos de suas obras, em particular o livro “O menino que espiava para dentro”, publicado em 1983. A autora, dessa forma, explica que seu livro – ao contrário das acusações – não faz apologia ao suicídio.

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Em primeiro lugar, a autora enfatiza em uma de suas entrevistas que a ideia do livro não era só a de “valorizar a imaginação infantil, mas frisar que a realidade é muito importante, até porque é ela quem alimenta a imaginação.” A escritora também acha fundamental – sendo muito polida – que os pais tenham muita preocupação com seus filhos e passem a se importar pelas leituras deles, entretanto ressalta que os pais precisam “ler sozinhos, ler mais, se acostumar muito com a leitura de literatura – para perder o medo da linguagem simbólica e entender como funciona a linguagem nessa função de contar histórias e fazer ficção”.

Um segundo ponto que precisa ser esclarecido é que a literatura não deve somente focar em situações positivas da vida. É necessário que ela explore contextos negativos como o do suicídio – o que não é o caso do livro em questão –, os dos vícios, o da solidão, contribuindo mais e melhor com a boa ficção. Ademais, “O menino que espiava para dentro” ao fazer referências à maçã e ao fuso investe na intertextualidade com os contos de fadas “Branca de Neve” e “Bela Adormecida”. Sendo assim, entra em vigor a verossimilhança – a lógica específica do texto, sua verdade própria em diálogo com o mundo dos contos de fadas. Em outras palavras, o leitor não pode “imaginar do jeito que quiser” (CABRAL, 2010, p. 25), pois há um contrato de leitura que obedece a uma lógica da ficção.
 
A verossimilhança e a intertextualidade, portanto, são elementos que ajudam a construir a literariedade e estão marcando fortemente a literatura infantojuvenil de Ana Maria Machado. Urge que os leitores – dentre eles pais e responsáveis – compreendam essa estrutura e sua finalidade, antes de começarem a “atirar pedras” – perceba mais uma intertextualidade – em cima de autores que colaboram com a educação há mais de 30 anos.

Referências

CABRAL, Márcia. Texto literário 1 – a ficcionalidade. In: Literatura na formação do leitor. v.2. módulos 2 e 3. Rio de Janeiro: Fundação CECIERJ, 2010.
BELÉM, Euler de França.
Revista Bula. Livros. Disponível em:
inquisicao-da-ignorancia/>. Acesso em: 28 set. 2018.
O Globo. Culura. Disponível em: bigorna-na-cabeca-diz-ana-maria-machado-23047123>. Acesso em: 28 set. 2018.


Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

PAES, Marcílio Moreira. "O papel da verossimilhança e da intertextualidade no livro 'O menino que espiava para dentro', de Ana Maria Machado"; Pedra Pequena. Disponível em: https://pedra-pequena.blogspot.com/2019/07/o-papel-da-verossimilhanca-e-da.html. Acesso em:

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