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Os tempos são outros: a postura do professsor reflexivo

Essa semana vi um estudante postar no Twitter que a recuperação é mais difícil que a prova comum, que todos fazem. Fico me perguntando qual é o papel do professor na atualidade. Muitas vezes o que se vê por aí são professores utilizando o sistema de reprovação para afirmar sua autoridade. Nas salas de professores? Ah, o que mais se vê são professores reclamando de que os alunos não estudam, não se esforçam, não querem nada. Isso é verdade, sim, mas há outra verdade que os professores não costuma citar: há profissionais que marcam o dia da recuperação e nem sequer tentam compreender o que os alunos não aprenderam; não fazem nada para recuperar o aprendizado perdido; simplesmente dão uma prova de recuperação parecida, ou mais difícil.
É claro que não vamos entrar na discussão sobre a valorização do professor, que ganha baixos salários e se submete aos mandos e desmandos das secretarias de educação. Não é esse o caso. A situação é mais espinhosa; trata-se de autoafirmação, de conservadorismo, de uma postura tradicional que é alimentada e ainda sustentada por muitos. E como acabar com essa visão retrógrada?
Em primeiro lugar é preciso fazer o professor compreender que sua avaliação não deve ser limitada a provas e testes bimestrais. Essas avaliações são objetivas e deixam passar toda a subjetividade e potencialidade do educando. É preciso avaliar todos os dias, anotando no diário, analisando as posturas, percebendo como os estudantes fazem as atividades. Não se pode pensar que uma prova objetiva vá medir todo o aprendizado do aluno.
Em segundo lugar temos de procurar manter um diálogo com os aprendizes. Infelizmente ainda há professores que mal conversam com seus alunos e muitos chegam a humilhá-los em sala de aula na presença de todos. Professor não é deus e tão pouco juiz, apesar de ter de julgar o tempo todo o aprendizado. Note que o que o professor julga é o processo de aprendizagem e precisa também julgar o seu processo de ensinagem. Perguntas como: Por que meu aluno não está aprendendo? Será que estou ensinando-o da melhor maneira? O que preciso mudar? Será que minha avaliação está adequada? Só descendo do pedestal é que o professor conseguirá enxergar seu aprendiz. A proximidade com ele o ajudará, inclusive, a avaliá-lo melhor, não só como aluno, mas como cidadão, como protagonista.
Infelizmente muitas críticas a este texto aparecerão. E elas só servirão para mostrar que os críticos ainda estão em um pedestal que precisará ser derrubado. Meu medo é: quem é que vai derrubar esse pedestal? Colocarão outro no lugar? Sendo assim, tenhamos uma postura reflexiva sobre como educar nossos estudantes, sobre como avaliá-los e paremos para também nos avaliar. Só assim, talvez, caminharemos para uma educação que não reproduza estereótipos, tradições e métodos ineficazes.

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

PAES, Marcílio Moreira. "Os tempos são outros"; Pedra Pequena. Disponível em: https://pedra-pequena.blogspot.com/2019/07/os-tempos-sao-outros-o-professor-pode.html. Acesso em:

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