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Escritos de momento

 Escritos de momento

Humberto Silva de Lima (Hubert Sildely)

 

Às vezes, falta-me alguma matéria-prima para eu escrever. Eu poderia apelar para o momento que inventei, o chamado (trans) dadaísmo, que na verdade não inventei. Apropriei-me desse movimento de vanguarda como uma arte terapêutica, em que eu tento dar (se é que há) algum sentido ao caos do chamado ‘dadá’. Mas eu escrevo em um momento em que me apavoro com tanta falta de lucidez de pessoas que falam o que querem desrespeitando a dor dos outros, e esse caos eu realmente eu não quero, porque não há como dar sentido a ele em um momento tão inoportuno como este que estamos vivendo.

Na verdade, vivemos sempre o momento da máscara. Tem muita gente sem máscara porque está usando uma, a de que quer mostrar algo que realmente não é. A invencibilidade ignorante e/ou cega prejudica a máscara de pano que apresenta o discurso do cuidado, e a ausência dessa máscara ilustra o da burrice que elegeu o que está presente aí. Afinal de contas, teremos de conviver com a “sinceridade” ou a falta de caráter do ‘E daí’, como disse mais ou menos alhures.

Escrever é um meio de estar vivo, com ou sem máscara, porque agora estou em casa, sem as minhas máscaras, a de pano e a da mentira, porque não quero me omitir nesse meu escrito ao pensar que o meu momento não passa de um mero ‘dadá’, assim como o Brasil o vê e o sente. O Brasil está cheio de ‘dadá’ que não é ‘dadá’, mas sim um outro ‘dadá’, de retrocesso e não de vanguarda, como foi outrora. Assistir de camarote aos outros países agindo em prol da vacinação do povo, enquanto aqui ouvimos ainda que não há razão de consumirmos Rivotril ou coisa parecida é o fim dos tempos, ou começo de outros sombrios.

Brincar com Fake News para eleger mentecaptos não faz mal, a gente tá carente mas tá legal (?). Mas quando envolve saúde pública pode ser letal. Há tanta coisa com que poderíamos brincar, não é? Eu vi tanta gente fazendo marcha daqui, marcha dali, poderiam ter brincado de “Marcha soldado”  e pronto. A terapia estaria feita, e a urna não seria tratada como urinol ou vaso sanitário.

Lembrei-me agora de uma coisa interessante. E a imprensa? Eu assisti ao “Cercados” da Globo Play. Imagino os risos do digníssimo. Coitados dos repórteres. Eu não teria aguentado ficar naquele cercadinho. E olha que os mais esclarecidos disseram que não ficaríamos como a Venezuela. Ideologicamente falando, a falta de liberdade para falar é o que mata o Brasil todos os dias, e a Covid-19 faz a festa diante desse cenário, sem bem que eu cansei de ficar assistindo diariamente aos telejornais.

A verdade é que estamos cercados por todos os lados. Confiemos no Deus verdadeiro, mas não nos calemos. Fiquemos perplexos ao assistir à leniência quanto à adoção de uma política pública séria de vacinação da população brasileira. Combatemos todas as formas de Fake News que emitem cantilenas contra à vacina, seja de qual marca for. Tratemos o trabalhador com seriedade e com respeito, porque todos nós queremos viver. Só assim poderemos dar alguma ordem no caos em que vivemos.


Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

LIMA, Humberto Silva de. "Escritos de momento"; Pedra Pequena. Disponível em: https://pedra-pequena.blogspot.com/2020/12/escritos-de-momento.html. Acesso em:

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