Certa vez, passando pela rua, encontrei um menino a
jogar pedras tentando acertar uma janela quebrada numa casa já
abandonada. Como não sou intrometido, fiquei distante, observando que
aquela brincadeira não parecia legal, mas sem imaginar quaisquer
consequências que poderiam acarretar. Fiquei calado. Afinal... a casa já
estava abandonada. Que mal poderia haver?!
Como a janela que ele
tentava acertar estava distante, resolveu focar numa mais próxima. Tomou
postura, mirou e lançou com uma força de alguém que realmente quer
destruir algo. Após o estouro dos restos de vidro da janela, observei
que havia outro barulho. Apurei os ouvidos atento ao que estava
acontecendo. Gritos começaram a tomar formas de desespero e, de repente,
sai da casa um homem ensanguentado na altura do pescoço cambaleando
pela rua. Aparentava ser um mendigo. Minha reação foi de surpresa, porém
procurei meios de ajudá-lo. O menino sumiu, o homem morreu. Fiquei
sabendo dias depois, a partir de uma breve notícia no jornal do bairro.
Inevitável ficar triste. Inevitável ter raiva de si mesmo por pensar que poderia impedir o ato daquele menino. Quem é o culpado? Eu. O menino também tinha sua culpa. Talvez até o mendigo fosse também culpado. Contudo é tarde para achar culpados. Desastres acontecem, acidentes existem e muitas vezes só existem porque não medimos nossos atos. As reações podem sair do controle. Somos ingênuos e até inconsequentes na maior parte do tempo.
Todavia agir inconsequentemente faz parte de nossa natureza assim como o arrependimento. Está aí uma bela palavra que puxa outra: arrependimento. Mostra que somos humanos. Não sei vocês, mas sempre que ouço essa palavra me lembro do perdão, sinal de mais humanidade ainda.
O mendigo já não vivia para poder me perdoar. Ou quem sabe perdoar o pobre menino... Nada disso faz sentido quando não se enxerga o perdão como um ato bem mais abrangente: embora eu tenha perdoado o menino, nada significava mais do que eu ter me perdoado. Se as ações do menino geraram reações desastrosas, minha omissão também fez parte disso, e eu me perdoei por isso. O que me resta não é somente o perdão que consegui liberar. O aprendizado ficou. E é tão precioso quanto o ouro, pois posso distribuí-lo sem nunca perder minha quantia. Aprender dessa forma dói, mas, por Deus, quem nunca sentiu dor antes?!
Inevitável ficar triste. Inevitável ter raiva de si mesmo por pensar que poderia impedir o ato daquele menino. Quem é o culpado? Eu. O menino também tinha sua culpa. Talvez até o mendigo fosse também culpado. Contudo é tarde para achar culpados. Desastres acontecem, acidentes existem e muitas vezes só existem porque não medimos nossos atos. As reações podem sair do controle. Somos ingênuos e até inconsequentes na maior parte do tempo.
Todavia agir inconsequentemente faz parte de nossa natureza assim como o arrependimento. Está aí uma bela palavra que puxa outra: arrependimento. Mostra que somos humanos. Não sei vocês, mas sempre que ouço essa palavra me lembro do perdão, sinal de mais humanidade ainda.
O mendigo já não vivia para poder me perdoar. Ou quem sabe perdoar o pobre menino... Nada disso faz sentido quando não se enxerga o perdão como um ato bem mais abrangente: embora eu tenha perdoado o menino, nada significava mais do que eu ter me perdoado. Se as ações do menino geraram reações desastrosas, minha omissão também fez parte disso, e eu me perdoei por isso. O que me resta não é somente o perdão que consegui liberar. O aprendizado ficou. E é tão precioso quanto o ouro, pois posso distribuí-lo sem nunca perder minha quantia. Aprender dessa forma dói, mas, por Deus, quem nunca sentiu dor antes?!
11/12/2014
Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:
PAES, Marcílio Moreira. "Reações adversas"; Pedra Pequena. Disponível em: https://pedra-pequena.blogspot.com/2018/11/reacoes-adversas.html. Acesso em:
PAES, Marcílio Moreira. "Reações adversas"; Pedra Pequena. Disponível em: https://pedra-pequena.blogspot.com/2018/11/reacoes-adversas.html. Acesso em:


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