Como educador, o que mais me preocupa ultimamente não é o estado da educação em si, mas o das famílias. Pela palavra família, não me interprete mal pensando que faço referência à "família tradicional" que tanto os conservadores querem resgatar. Entenda-se, portanto, que me refiro aos vários modelos de famílias e aos fracassos evidentes.
Ensinar não é difícil e defendo que não é um dom. Contudo, ensinar crianças oriundas de famílias desestruturadas em que o pai ou a mãe (ou mesmo os dois) são viciados em drogas é bem complicado. E esse é apenas um dos problemas. Talvez o mais grave! Ensinar crianças que passam fome, porque seus pais estão desempregados, ensinar crianças que foram abandonadas pelos pais e parentes, ensinar crianças com dificuldade que nós, educadores, nunca tivemos, é um grande desafio que, muitas vezes, tende ao fracasso.
É claro que os governos estão fazendo sua parte em relação à oferta da educação básica, todavia, pelo quadro que vemos e enfrentamos hoje, garanto a você, caro leitor, não é suficiente. Não pense que estou aqui a defender um estado macro que deva cuidar de todas as coisas. Acredito, sim, que o Estado pode mais, no entanto, a minha proposta é uma pedagogia do despertamento que atinja, principalmente, os adultos.
As pessoas estão cada vez mais individualistas e aparentemente não se preocupam com as dificuldades do próximo. O que mais se houve hoje é: "Se precisar de mim é só falar", mas, quando "falamos", pedimos ajuda, o que se tem em resposta é o silêncio ou o súbito desaparecimento do "amigo". É preciso despertar! Despertar para os problemas do próximo, pois se cada um se propusesse a ajudar e realmente ajudasse talvez teríamos condições mais favoráveis. Até quando será que iremos deixar um mundo sem solidariedade para nossas crianças? Até quando será que veremos o nosso conhecido passar fome com seus filhos e fecharemos os olhos? Até quando será que ficaremos sem denunciar o pai ou o padrasto que espanca seu filho ou enteado? Até quando será que nós que temos mais condições usaremos uma venda para não enxergarmos os problemas que assolam a sociedade?
A proposta de uma pedagogia do despertamento, portanto, visa a mudar ou, pelo menos, a amenizar todo esse quadro de apatia. É por isso que digo que ela não se dirige especificamente às crianças, mas aos adultos. E como implantar essa pedagogia? Primeiro é preciso capacitar os profissionais para, só depois, implantá-la em espaços sociais, templos religiosos, associações de moradores, empresas, escolas, instituições das mais diversas ordens. Talvez se todos abraçássemos essa ideia, teríamos crianças com menos problemas e a educação aconteceria de forma menos desgastante. Entretanto, infelizmente parece que todos estão mais preocupados com formação técnica, profissionalização, concorrência, disputa, seleção natural e tudo que envolva competição. É preciso mudar! É preciso despertar.
Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:
PAES, Marcílio Moreira. "Despertamento"; Pedra Pequena. Disponível em: https://pedra-pequena.blogspot.com/2018/12/como-educador-o-que-mais-me-preocupa.html. Acesso em:
PAES, Marcílio Moreira. "Despertamento"; Pedra Pequena. Disponível em: https://pedra-pequena.blogspot.com/2018/12/como-educador-o-que-mais-me-preocupa.html. Acesso em:


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