Textão . . .
Fico pensando naquele hit cantado nas igrejas, sobre os "sonhos de Deus jamais vão morrer", da Ludmila Ferber - óbvio que está inserida na canção alguma coisa de conquista material (só idiota que não entende isso). Na verdade, escutei essa música no último culto de domingo a que assisti. Depois de dois anos sem quase dar as caras na igreja, depois de muita insistência de minha esposa, resolvi "bater o ponto". E o "diabinho" da crítica aflorou outra vez.
A Bíblia diz que, se a nossa esperança em Cristo se voltar para este mundo, somos os mais miseráveis. Aí eu escuto líderes promovendo discursos sobre o fato de que os mais fortes vencem e sempre haverá aquele que pedirá esmolas. Sinceramente, fico confuso com tudo isso, incluindo a ideia de que devemos "restaurar nossos sonhos". Restaurar sonhos sob o discurso da exclusão... comentar o quê?
Numa política atual excludente, que tira o pouco que nós temos e que enriquece 1% da população, dá para ter sonhos? O que adianta ter os títulos acadêmicos se não haverá mais como exercê-los? O que adianta ser inteligente num país onde reina a ideia de que é melhor deixar como está (laissez-faire) e torcer para que tudo dê certo (melhor torcer a roupa...)? O que adianta ser crítico se pessoas o abandonam em nome do "politicamente correto às avessas"? Que justiça existe nisso? A meritocracia realmente existe ou é fake news só para disfarçar o egoísmo de uns em detrimento de outros? Ainda me pergunto o que faço por aqui neste mundo tão incoerente e desigual.
Aprendi que Deus quer que sejamos felizes naquilo que nos capacitou. Eu li na minha mocidade "Uma vida com propósito". Tudo mentira. Deus não requer isso. A Santa Palavra de Deus foi trocada pelo capitalismo selvagem nas igrejas. Até o que parece ser obra de Deus a favor dos pobres não passa de mero material para redação de relatórios.
Pouquíssimos pastores ainda têm a sensibilidade de entender palavras como as minhas e, mesmo não concordando com elas, não precisam por aí jogando dúvidas quanto à possibilidade de elas terem algum valor para uma reflexão mínima. Sinto-me enganado por tudo que vivi nesses anos:
a) a igreja evangélica brasileira ajudou a tirar do poder um partido político em nome de uma moralidade controversa, porque a própria igreja (raríssimas exceções) é controversa;
b) tal moralidade promove reformas que só atacam o pobre (ele que se lasque);
c) aqueles que estão na liderança (em nome de Deus) aprovam coisas absurdas, e nós temos que nos calar diante de tudo isso;
d) fala-se de crise, mas os bilionários têm a.cara livrada na hora de pagar os impostos.
Sou professor. Ninguém até agora me deu uma palavra contundente sobre como eu devo proceder caso eu vá para a fogueira. Lei tira o aluno da escola, porque nos chamam de ideologizadores. Só quero trabalhar em paz e sonhar com melhores condições de trabalho, tais como a L I B E R D A D E. Dinheiro é consequência. Saber que eu terei uma vida digna na minha velhice me faz lutar, mesmo tomando quase 10 comprimidos por dia para estar de pé, sem dor, mesmo que eu mate meus rins e o meu fígado aos poucos.
Mas luto para o vazio. Tiraram até a possibilidade de eu ter uma vida digna na minha velhice, ainda que eu tenha buscado o dever no lugar das diversões. Ninguém vê, mas o verdadeiro Deus vê. Hoje, o negócio é reinventar. Bem que esse desgoverno poderia ser reinventado.
Deus acima de tudo, Brasil acima de todos, ou o contrário. Ah! Tanto faz. Deus virou as costas para esta nação mesmo...
Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:
LIMA, Humberto Silva de. "Memórias"; Pedra Pequena. Disponível em: https://pedra-pequena.blogspot.com/2019/02/memorias.html. Acesso em:
LIMA, Humberto Silva de. "Memórias"; Pedra Pequena. Disponível em: https://pedra-pequena.blogspot.com/2019/02/memorias.html. Acesso em:

1 Comentários
Trágico. Se o fim é decadência, evoluímos em declínio. Pode ser que ainda exista esperança.
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