Nos últimos anos um movimento denominado “Escola sem Partido”, criado pelo advogado Miguel Nagib e defendido pela parte da população brasileira mais conservadora, adquiriu tanta força política que preocupa órgãos e instituições representativos de profissionais da educação. Embora haja uma suposta “boa intenção” nos projetos elaborados pelo movimento, é imprescindível que se mantenha o modelo atual de educação brasileira, visto que ele garante a liberdade de expressão e a pluralidade de ideias além de preparar os estudantes para o exercício da cidadania.
O Art. 206 da Constituição Federal ressalta que o ensino deve ser ministrado com base na liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber. Fato curioso os defensores do “Escola sem Partido” usarem esse mesmo artigo para justificarem que as opiniões dos professores não respeitam a liberdade de aprender do estudante justo porque a matrícula nas disciplinas é obrigatória. Esses mesmos defensores enxergam os jovens estudantes como se fossem “folhas em branco”, ou seja, pessoas que não carregam nenhuma formação, nenhuma opinião e passivas de serem ensinadas. Desse modo, exigem que o professor seja apenas um transmissor de conteúdos específicos e ignoram o mesmo artigo que preconiza a liberdade de ensinar. Querem limitar a ação dos educadores em vez de buscar um modelo de ensino que vise à matrícula facultativa em disciplinas, respeitando, assim, o direito de escolha do estudante.
Além disso, é dever da escola preparar cada estudante para o exercício da cidadania para que haja respeito às diversidades da sociedade brasileira. Quando o “Escola sem Partido” propõe acabar com a doutrinação ideológica nas escolas, está, na verdade, indo contra as teorias de Durkheim, filósofo e sociólogo francês, que descreveu muito bem o processo de ensino alegando que a uniformização de comportamento e até, em certo aspecto, de pensamento é uma das funções da escola, que prepara o indivíduo para conviver em sociedade. Todavia, Durkheim deixa esclarecido que, mesmo havendo certa doutrinação, o modelo educacional de massa herdado após a Revolução Industrial possui brechas para que haja diálogos e debates sobre o modo de se construir o conhecimento.
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| Charge do Kayser (Arquivo Google) |
Tudo o que foi mencionado só reforça a ideia de que não existe uma educação neutra (isenta de ideologias) e de que é preciso garantir a liberdade de ensinar do professor de acordo com os modelos vigentes, sem colocá-lo em perpétua vigilância. O investimento em campanhas de conscientização, em debates, congressos e comissões com especialistas que discutam o assunto, externando os pontos positivos de uma educação livre de amarras assegura a diversidade que há em nossas escolas. Há também de se pensar em políticas que flexibilizem o currículo da educação básica dando maior autonomia aos estudantes para escolherem disciplinas a serem cursadas, mantendo um eixo básico comum para que não haja perdas consideráveis no ensino e, assim, solucionar parte dos problemas que envolvem a educação.
Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:
PAES, Marcílio Moreira. "Os ataques à educação"; Pedra Pequena. Disponível em: https://pedra-pequena.blogspot.com/2019/03/os-ataques-educacao-brasileira.html. Acesso em:
PAES, Marcílio Moreira. "Os ataques à educação"; Pedra Pequena. Disponível em: https://pedra-pequena.blogspot.com/2019/03/os-ataques-educacao-brasileira.html. Acesso em:



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