na prateleira de cima,
ergueste o templo onde moram
os deuses que tu criaste
nos altares frios e escuros.
Há uma caixa enfeitada de corações
cujo interior contém teu futuro,
ó filho da fantasia!,
regido pelo deus do amor,
em quem mais depositaste fé.
As promessas sagradas
estão em papéis coloridos, cartas e fotos.
Mas o santuário está empoeirado.
Tu não te prostras diante das estátuas, nem adoras.
Não participas dos rituais.
Das vestes românticas já te despiste
e não crês em amor ideal,
já que nele estava tua esperança,
e tua idolatria não te permitiu
ver as coisas como são.
O amor posto em altares é sempre mortal.
Nos rouba a verdade do mundo,
a percepção de nós mesmos,
de nossos semelhantes tão humanos.
As estátuas são impotentes,
porque os ídolos são de prata e ouro,
obras das mãos dos homens.
Têm boca, mas não falam;
ouvidos, mas não ouvem;
mãos e pés, mas não seguram nem andam.
E tu te fizeste semelhante a eles
até o dia da tua queda,
quando tropeçaste em tuas próprias ilusões
e caíste neste mundo imperfeito feito tu,
feito teus deuses.
Ah!, se tu soubesses antes...
não estarias nu agora
e frio não sentirias.
Em tuas mãos não haveria sangue,
pois teus deuses estão mortos, e tu os mataste.
Ah, se tu soubesses antes...
mas calma, ó filho da imperfeição!,
ainda te resta a vida.
Não ergas altares mais,
nem construas estátuas;
não creias em deuses,
nem ouças as profecias.
Acostuma-te somente ao agora,
e a vida te será menos dolorosa.
Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:
ANDRADE, Charles Teixeira de. "O crepúsculo dos ídolos"; Pedra Pequena. Disponível em: https://pedra-pequena.blogspot.com/2019/03/o-crepusculo-dos-idolos.html. Acesso em:
ANDRADE, Charles Teixeira de. "O crepúsculo dos ídolos"; Pedra Pequena. Disponível em: https://pedra-pequena.blogspot.com/2019/03/o-crepusculo-dos-idolos.html. Acesso em:

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