A Gramática Gerativa ou Linguística Gerativa (como alguns teóricos preferem denominar) afirma que a língua deve ser estudada como conhecimento, se opondo, assim, ao Estruturalismo que, por sua vez, defende o estudo da língua como um produto social.
Os principais aspectos sobre a teoria gerativista permeiam assuntos que falam sobre a Aquisição da Linguagem, Princípios e Parâmetros, Competência e Desempenho, Categorias Gramaticais, Estrutura de Constituintes e, por final, Predicados e Argumentos. Contudo, antes de falarmos sobre os tópicos listados acima, faz-se necessário conhecer a origem da Gramática Gerativa.
A Gramática Gerativa é o resultado de estudos da linguagem iniciados por Noam Chomsky na Escola de M.I.T. (Massachusetts Institute of Technology) nos Estados Unidos. O termo “gerativo” é derivado da matemática e foi aplicado na área da linguística justamente para expor a forte influência no racionalismo e na lógica, descrevendo estruturas “mais ou menos” matemáticas que servem como fórmulas para a criação de diversas e infinitas frases de uma determinada língua obedecendo a certos parâmetros comuns a ela.
Aquisição da linguagem é um termo bastante discutido entre linguistas. Uns defendem que a linguagem – com uma visão empirista – só é adquirida através do meio em que determinado indivíduo está inserido. Contudo essa é uma visão de Saussure e dos estruturalistas. Para Chomsky, a linguagem não é produto do meio, mas inata, isto é, o indivíduo já nasce com a habilidade de falar, pois carrega consigo um sistema (conjunto de regras) que irá ser despertado através do contato com uma determinada língua. Assim, inexiste uma predisposição para uma língua particular, pois o indivíduo é capaz de aprender qualquer linguagem humana.
A partir de 1980, Chomsky contribui mais uma vez para a ciência linguística, pois lança sua teoria popularmente conhecida como P&P (Princípios e Parâmetros). Tal teoria afirma que a linguagem humana é regida por alguns princípios que, para Chomsky, são considerados universais (comuns a todas as línguas humanas). No entanto Chomsky afirma que essas regras podem variar de acordo com a língua; essa variação é denominada por ele como “parâmetros”. Exemplifiquemos: Sabemos que a existência de termos que chamamos de “sujeito” é comum a todas as línguas. Todavia como ele se manifestará ou se comportará em uma língua específica são os parâmetros de tal língua que irão dizer. Na língua portuguesa, podemos classificar o sujeito como oculto ou indeterminado, ou seja, nem sempre está exposto. Mas na língua inglesa, o sujeito sempre será exposto nas orações. Assim, temos um princípio: todas as línguas têm um termo a que chamamos de “sujeito”; e temos, ainda, um parâmetro: o “sujeito” na língua inglesa sempre é exposto e na língua portuguesa isso pode não ocorrer.
Outra teoria analisada por Chomsky é a da Competência e Desempenho linguísticos. É a competência linguística que possibilita o falante/ouvinte dominar a língua e, dizemos que alguém domina a língua quando passa a criar dentro dela. Assim, a capacidade de se produzir frases e compreendê-las é o equivalente ao que denominamos competência. O desempenho é a colocação em funcionamento desse mecanismo que chamamos de competência, isto é, a utilização real em situações concretas. O desempenho nada mais é do que a “performance” da língua; como é utilizada. Entretanto é preciso saber que a Gramática Gerativa não se atenta para o estudo do desempenho.
As “categorias gramaticais” tratam, para sermos mais específicos, das classes de palavras existentes na linguagem. Sabemos que os itens lexicais são classificados de diversas formas; há aqueles que pertencem a categoria dos nomes, outros, a categoria dos verbos, outros, por sua vez, a categoria dos adjetivos etc. Contudo a Gramática Gerativa diz que só fazemos essa classificação através da observação do comportamento que determinado item lexical tem dentro de uma sentença. Sendo assim, podemos dizer se um item lexical pertence ou não a uma categoria específica sem conhecermos o seu significado. Portanto é a sintaxe que determina cada categoria gramatical.
A estrutura de constituintes é uma teoria que afirma que o item lexical não pode estar em qualquer ordem no interior de uma sentença. Assim, não existe a acomodação de um item lexical numa dada sentença por ordem aleatória. Vejamos a frase seguinte:
Sem dúvidas que a frase acima é totalmente compreensível. Mas o que acontece se quebrarmos sua estrutura, ou seja, seus sintagmas? Vejamos:
Obviamente a segunda sentença é impossível de se entender; isso porque alguns sintagmas foram quebrados como “o livro”. Essa quebra colabora para o não entendimento da sentença.
A estrutura de constituintes é uma teoria que afirma que o item lexical não pode estar em qualquer ordem no interior de uma sentença. Assim, não existe a acomodação de um item lexical numa dada sentença por ordem aleatória. Vejamos a frase seguinte:
O livro que comprei ontem é excelente.
Sem dúvidas que a frase acima é totalmente compreensível. Mas o que acontece se quebrarmos sua estrutura, ou seja, seus sintagmas? Vejamos:
Que ontem excelente livro o é comprei.
Obviamente a segunda sentença é impossível de se entender; isso porque alguns sintagmas foram quebrados como “o livro”. Essa quebra colabora para o não entendimento da sentença.
O último aspecto a ser aqui abordado é o dos predicados e argumentos. A princípio, devemos ter em mente que não falamos do mesmo predicado que a Gramática Normativa estuda, pois todas as categorias lexicais (nomes, verbos, advérbios, adjetivos etc.) podem ser consideradas predicados para a Gramática Gerativa. Isso porque o predicado para a Gramática Gerativa é a palavra mais importante da sentença, isto é, o núcleo. Exemplifiquemos para melhor compreensão:
Na sentença acima o termos sublinhado é o predicado do argumento “criança” e do argumento “gato”.
Nesta outra sentença temos o predicado “correr” para o argumento “O gato”. “Pela sala” não é um argumento, pois o predicado “correr” não necessita de tal argumento para se constituir.
Já na sentença de cima o predicado não é um verbo, mas a palavra "amigo", que exige dois argumentos: “esse gato” e “da criança”.
Esta última sentença o predicado é um nome (destruição) que necessita de dois argumentos: “do novelo” e “pelo gato”.
É certo que a teoria dos predicados e argumentos precisa ser bem mais explicada para uma melhor compreensão. Para tal recomendamos a leitura do capítulo “Sintaxe: explorando a estrutura da sentença” do livro “Introdução à Linguística II: princípios de análise” de José Luiz Fiorin (org.).
Criança adora gato.
Na sentença acima o termos sublinhado é o predicado do argumento “criança” e do argumento “gato”.
O gato está correndo pela sala.
Nesta outra sentença temos o predicado “correr” para o argumento “O gato”. “Pela sala” não é um argumento, pois o predicado “correr” não necessita de tal argumento para se constituir.
Esse gato é amigo da criança.
Já na sentença de cima o predicado não é um verbo, mas a palavra "amigo", que exige dois argumentos: “esse gato” e “da criança”.
A destruição do novelo pelo gato vai irritar a mãe.
Esta última sentença o predicado é um nome (destruição) que necessita de dois argumentos: “do novelo” e “pelo gato”.
É certo que a teoria dos predicados e argumentos precisa ser bem mais explicada para uma melhor compreensão. Para tal recomendamos a leitura do capítulo “Sintaxe: explorando a estrutura da sentença” do livro “Introdução à Linguística II: princípios de análise” de José Luiz Fiorin (org.).
Para entender, portanto, um pouco mais sobre a Linguística Gerativa, é preciso compreender bem todos esses conceitos. As dúvidas sempre vão surgir, no entanto não são poucos os livros teóricos publicados e os conteúdos espalhados pelo mundo virtual que auxiliam no entendimento desses conceitos.
Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:
PAES, Marcílio Moreira. "Conceitos sobre a Linguística Gerativa"; Pedra Pequena. Disponível em: https://pedra-pequena.blogspot.com/2019/06/a-gramatica-gerativa-ou-linguistica.html. Acesso em:
PAES, Marcílio Moreira. "Conceitos sobre a Linguística Gerativa"; Pedra Pequena. Disponível em: https://pedra-pequena.blogspot.com/2019/06/a-gramatica-gerativa-ou-linguistica.html. Acesso em:

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