A igreja cristã há tempos tem perdido sua função principal que é o de propagar o amor, o perdão, o resgate de vidas que estavam perdidas. Refletindo sobre isso, veio-me a percepção do quanto o discurso da predestinação contribui para afastar as pessoas e, de certa forma, segregar a humanidade. Diante disso, questiono se Cristo viera apenas para salvar alguns, os seus predestinados, os também chamados “filhos da redenção”.
Sou adepto do livre arbítrio e me é difícil compreender que Deus limite as escolhas da humanidade. O tão proclamado apóstolo Paulo já dizia em uma de suas cartas aos coríntios que aonde o Espírito de Deus está há liberdade*. Quando o mesmo apóstolo escreve aos gálatas reforça ainda mais essa ideia, dizendo que foi para a liberdade que Cristo nos libertou**. Diante disso, sempre acreditei em equívocos interpretativos em relação à predestinação. Minha concepção é que confundem a onisciência de Deus com uma palavra, digamos, não tão feliz: predestinação. Deus já conhece as escolhas de todos e pode afirmar quem são os seus, mas de forma alguma limitou ou limita as escolhas de cada um. Gosto de acreditar que Deus é leve como sua própria palavra diz quando afirma que seu julgo é suave e seu fardo é leve***.
Todavia não é esse o discurso que vemos e percebemos dentro das igrejas cristãs, principalmente as denominadas evangélicas. Muitos de seus fiéis costumam nutrir a ideia de escolhidos. E não é sem justificativa que ouvimos entre eles frases como “você foi escolhido para isso”, “Deus te escolheu para tal coisa”, “Deus te escolheu desde o ventre de sua mãe”. Não vejo nada errado nisso quando o discurso é abrangente, mas, de fato, não é. Uns são escolhidos enquanto outros são subjugados. E há aqueles que alimentam que uns foram escolhidos para se perderem, para não herdarem o tão buscado paraíso. Como assim? Quem faz essas escolhas senão as próprias pessoas através de seu livre arbítrio?! Cada um é dono de sua própria vida e responsável pelas suas escolhas. A Graça de Cristo se estende a todos. Repito: a Graça de Cristo se estende a todos! Deus não deseja que ninguém se perca.
Diante disso, paremos de fazer acepções de pessoas. Essa regra vale para todas as pessoas, mesmo aquelas que não estão dentro de uma denominação. Paremos de agir como se uns fossem destinados ao Inferno e outros, os que comungam na igreja, fossem destinados ao Paraíso. A Igreja, hoje, mais do que nunca não está limitada a religiões, templos, organizações. A Igreja é invisível e está espalhada. Podemos ver Deus onde menos esperamos e isso sempre nos surpreende! Porque a Igreja não tem placa, não tem vestimenta, não tem título. A Igreja é a fé de cada um em Deus, que criou tudo e todos.
* 2 Coríntios 3:17
** Gálatas 5:1
*** Mateus 11:30
*** Mateus 11:30
Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:
PAES, Marcílio Moreira. "A discriminação escondida no discurso de predestinação"; Pedra Pequena. Disponível em: https://pedra-pequena.blogspot.com/2021/01/a-discriminacao-escondida-no-discurso.html. Acesso em:
PAES, Marcílio Moreira. "A discriminação escondida no discurso de predestinação"; Pedra Pequena. Disponível em: https://pedra-pequena.blogspot.com/2021/01/a-discriminacao-escondida-no-discurso.html. Acesso em:


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