Qual é o papel do professor de língua materna é questão que surge na vida profissional de todo jovem professor. A língua portuguesa, diferente das outras disciplinas da escola, não inicia os estudantes no saber, visto que eles já chegam no colégio dominando sua língua materna. Essa é uma suposição que parece razoável, mas esse domínio precisa ser trabalhado de modo que os estudantes possam expressar sua personalidade, elaborar conceitos, fazer da linguagem um instrumento de raciocínio e um objeto de fruição estética. Esse objetivo só é alcançado quando se usam textos de diferentes formatos, gêneros e variedades linguísticas em sala de aula.
Todavia a escola tem seguido outro caminho: o da correção, investindo na sistematização gramatical e na análise de sentenças mais ou menos descontextualizadas. Desse modo, o professor do ensino fundamental e médio adquire uma tendência a desqualificar toda e qualquer produção do jovem estudante que, porventura, cometa erros sintáticos, ortográficos ou de linguagem culta. Só porque o jovem fala uma língua diferente da apresentada a ele na escola, não quer dizer que ele não domine a língua. O autocontrole gramatical em nada vai ajudá-lo a chegar à forma culta, porém atitudes como o exemplo do professor, a leitura e a impregnação paulatina através da variante culta.
Isso implica afirmar que não basta dizer ao aluno que o português culto é a língua padrão da escola, pois, fora dela, os estudantes utilizam uma variedade diferente, que faz parte de sua identidade e faz com que trate, às vezes, de forma discriminada, a variedade culta. Não se pode pensar que os alunos deixarão os “erros” depois de uma aula sobre regras gramaticais e análise sintática. Há algo de muito equivocado em repetir tantas vezes a mesma aula, por exemplo, de sujeito e predicado, no início de todos os anos do ensino fundamental e médio.
Breve resumo do texto:
ILARI, Rodolfo; BASSO, Renato. O material de trabalho do professor de língua materna: a competência linguística dos alunos. In: O português da gente: a língua que estudamos, a língua que falamos. São Paulo: Contexto, 2007. p.230-234.
Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:
PAES, Marcílio Moreira. "Ensinar língua materna"; Pedra Pequena. Disponível em: https://pedra-pequena.blogspot.com/2019/03/ensinar-lingua-materna.html. Acesso em:
PAES, Marcílio Moreira. "Ensinar língua materna"; Pedra Pequena. Disponível em: https://pedra-pequena.blogspot.com/2019/03/ensinar-lingua-materna.html. Acesso em:


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