Iniciarei minha colaboração no blog me apresentando através de um tema que muito me interessa. Estou cursando o sexto período de Arquitetura e Urbanismo em uma universidade que trabalha bastante a interdisciplinaridade e alguns de fora costumam estranhar os textos que estudo com uma cara de “O que isso tem a ver com arquitetura?”. Parte da minha intenção nos textos que escrevo, além de compartilhar o conhecimento produzido em um ambiente de tantas trocas, é desmistificar a ideia da arquitetura como a cereja do bolo, algo apenas estético; um "a mais". Arquitetura é cultura, arte e política. Além dos projetos habitacionais, me interesso muito por aqueles ligados à educação, principalmente a de base. Ou seja, creches e escolas.
E qual o papel da arquitetura na educação?
É muito comum vermos escolas cercadas por grandes muros, passando para a criança a imagem semelhante à de um presídio. A criança, já no primeiro dia de aula, pode ter uma extrema dificuldade de entrar nesse mundo que se apresenta em formas tão hostis. Levando isso em consideração, alguns projetos trabalham com muros baixos, permitindo uma transição suave do exterior para o interior, da mesma forma que fazemos com um peixe novo, antes deste ser colocado no aquário. Em seguida, antecedendo a sala de aula, uma varanda cercada por uma mureta pode se tornar mais um ambiente de transição. Esta será utilizada pelos pais que estão deixando suas crianças pela primeira vez na escola. Os pais podem permanecer ali, sentados na mureta, observando seus filhos pela janela da sala, de forma que estejam presentes, porém, do lado de fora, permitindo que a criança experimente certa autonomia. Nesse espaço, as crianças podem permanecer sentadas na mureta, conversando e brincando, enquanto aguardam os pais. Além disso, essa varanda pode abrigar estantes ou alguma outra estrutura expositiva com os trabalhos dos alunos. Esses trabalhos ficariam visíveis para pais e alunos de outras turmas, criando uma identificação da criança com o espaço que ela passa a ver como dela. Cuidamos do que é nosso. Pessoas jogam lixo na rua pois o espaço público é construído no imaginário como aquilo que não é de ninguém. O simples ato de dispor a sala de forma que cada criança tenha seu espaço, a sua mesa, e em meio a isso, interseções, faz com que a criança cuide desse espaço enquanto aprende a conviver com os outros. Esses são alguns exemplos simples, retirados do livro Lições de Arquitetura (Hertzberger, H.), de como a arquitetura faz diferença no processo pedagógico.
E qual o papel da arquitetura na educação?
É muito comum vermos escolas cercadas por grandes muros, passando para a criança a imagem semelhante à de um presídio. A criança, já no primeiro dia de aula, pode ter uma extrema dificuldade de entrar nesse mundo que se apresenta em formas tão hostis. Levando isso em consideração, alguns projetos trabalham com muros baixos, permitindo uma transição suave do exterior para o interior, da mesma forma que fazemos com um peixe novo, antes deste ser colocado no aquário. Em seguida, antecedendo a sala de aula, uma varanda cercada por uma mureta pode se tornar mais um ambiente de transição. Esta será utilizada pelos pais que estão deixando suas crianças pela primeira vez na escola. Os pais podem permanecer ali, sentados na mureta, observando seus filhos pela janela da sala, de forma que estejam presentes, porém, do lado de fora, permitindo que a criança experimente certa autonomia. Nesse espaço, as crianças podem permanecer sentadas na mureta, conversando e brincando, enquanto aguardam os pais. Além disso, essa varanda pode abrigar estantes ou alguma outra estrutura expositiva com os trabalhos dos alunos. Esses trabalhos ficariam visíveis para pais e alunos de outras turmas, criando uma identificação da criança com o espaço que ela passa a ver como dela. Cuidamos do que é nosso. Pessoas jogam lixo na rua pois o espaço público é construído no imaginário como aquilo que não é de ninguém. O simples ato de dispor a sala de forma que cada criança tenha seu espaço, a sua mesa, e em meio a isso, interseções, faz com que a criança cuide desse espaço enquanto aprende a conviver com os outros. Esses são alguns exemplos simples, retirados do livro Lições de Arquitetura (Hertzberger, H.), de como a arquitetura faz diferença no processo pedagógico.
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| Delft Montessori School, Herman Hertzberger |
A arquitetura deve estar alinhada com uma proposta pedagógica.
Fui apresentado ao conceito de “educação integrada” em uma palestra na faculdade ministrada pelo doutorando de arquitetura Rafael Diniz. Segundo o https://educacaointegral.org.br/,
Fui apresentado ao conceito de “educação integrada” em uma palestra na faculdade ministrada pelo doutorando de arquitetura Rafael Diniz. Segundo o https://educacaointegral.org.br/,
“A Educação Integral é uma concepção que compreende que a educação deve garantir o desenvolvimento dos sujeitos em todas as suas dimensões – intelectual, física, emocional, social e cultural e se constituir como projeto coletivo, compartilhado por crianças, jovens, famílias, educadores, gestores e comunidades locais.”
Essa proposta começa com nomes como Anísio Teixeira, que vai elaborar a Escola Parque e Darcy Ribeiro, que, como vice-governador do estado do Rio de Janeiro durante o governo de Brizola, desenvolveu o CIEP. Ambos possuem a proposta da educação além das disciplinas como português, matemática e geografia. A programação escolar também incluiria aulas como teatro, artes e música. A arquitetura de ambos os projetos acompanham suas propostas. Rafael pontua a aparência muito característica do CIEP como motivo de descontinuação da proposta inicial e interrupção da construção de novas unidades. Assim como obras são feitas às pressas para que sejam inauguradas pelo político que as idealizou ainda em seu mandato, outros projetos são descontinuados por serem característicos de outros governos. Rafael fez sua pesquisa de doutorado pensando o conceito de educação integral e bairro educador no contexto do Complexo da Maré.
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| Escola Parque. Foto: Acervo IPAC |
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| Núcleo de Artes do Centro Educacional Carneiro Ribeiro |
O centro educacional (foto acima) é composto de quatro "escolas-classe" e uma "escola-parque", que abriga atividades práticas como artes aplicadas, industriais e plásticas, além de jogos, recreação, ginástica, teatro, música e dança.
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| CIEP, Oscar Niemeyer. O projeto conta com módulo de quadra e biblioteca, para adaptar-se a cada espaço em que for construído. |
O bairro educador é um conceito que visa a integração da escola com o bairro, utilizando o território como espaço de aprendizado. Tem como referência os princípios das Cidades Educadoras, como Barcelona, onde a cidade se integra às instituições de ensino fundamental. O desafio quando se trata de Brasil, como o palestrante chamou a atenção, é o de tornar a cidade, espaço que nós não somos levados a desejar habitar e que buscamos utilizar apenas como caminho entre um lugar e outro, em um espaço de aprendizado.
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Cidade Educadora
Imagem retirada de https://envolverde.cartacapital.com.br/
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Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:
LUGÃO, Rodrigo. "Arquitetura, Cidade e Educação"; Pedra Pequena. Disponível em: https://pedra-pequena.blogspot.com/2020/03/arquitetura-cidade-e-educacao.html. Acesso em:






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